RESILIÊNCIA – QUE FENÔMENO É ESSE?

Desde os primórdios da humanidade sabe-se de pessoas resilientes como Jô e Jacó, modelos bíblicos que enfrentaram problemas como a perda do filho, da esposa, de dinheiro e de todos os recursos para o enfrentamento de doenças, além de doenças graves como a lepra. Assim mesmo, eles superaram a dor e se manterem confiantes em seu Deus, assim agem as pessoas resilientes.

As fibras de um tapete de náilon são o exemplo simplificado dessa ação, as fibras recuperam a forma assim que acabam de ser pisadas e amassadas. A Psicologia apropriou-se essa imagem para explicar a capacidade de lidar com problemas, superá-los e até de se deixar transformar por adversidades.

Detalhando melhor, o resiliente não se abate de forma fácil e rápida, não culpa os outros pelos seus fracassos e tem um humor invejável. Para completar o leque de requintes, ele age com ética e dispõe de uma energia espantosa para trabalhar e alcançar seus objetivos.

Perfil de herói? Parece. Mas essa qualidade é encontrada em pessoas de carne e osso. Segundo Haim Grunspun, professor de psicopatologia da PUC-SP, “um terço da população do mundo tem traços de resiliência”.

Os especialistas em comportamento começaram a estudar o tema, quando se colocaram diante da interrogação: “por quê?” – em comunidades atingidas por enchentes, terremotos, perseguições raciais, violência e guerras – algumas pessoas se saem bem e outras não? Chamava a atenção um detalhe: aquelas que venciam um obstáculo se mostravam “vacinadas” para enfrentar o próximo.

Que fenômeno é esse?

Até os anos 90, os estudiosos defendiam que a habilidade para administrar conflitos era inata, como um dom. A partir daí, comprovaram que o homem pode, sim, desenvolver a capacidade de se recuperar e de crescer em meio a sucessivos problemas. Acredita-se que é na infância que se aprende melhor esses conteúdos.

Portanto, a resiliência é um atributo que envolve vulnerabilidade e mecanismos de proteção, sendo assim, não é fixo, pois sofre variações ao longo do tempo, esta combinação irá modificar as respostas individuais frente a situações de risco e operar durante toda a vida do indivíduo.

… diversas variáveis e processos precisam ser estudados sempre que o tema da resiliência estiver em destaque (…) a capacidade de amar, trabalhar, ter expectativas e projeto de vida – consequentemente, dar um sentido a nossa existência – denota ser a base onde as habilidades humanas se apoiam para sem utilizadas diante das adversidades da vida.

 

A noção de vulnerabilidade é composta por elementos que agravam uma dada situação de risco impedindo assim uma resposta satisfatória para a pessoa, a vulnerabilidade não é regida por uma relação de causa e efeito, mas, sobretudo, da relação da pessoa com o meio.

A vulnerabilidade refere-se a uma predisposição individual para apresentar resultados negativos no desenvolvimento. Ela está relacionada com uma predisposição para desenvolver uma desordem específica ou com uma susceptibilidade geral ao stress. A vulnerabilidade aumenta a probabilidade de um resultado negativo ocorrer na presença de um fator de risco. Contudo, ela opera somente na presença dele, ou seja, sem o risco, ela não tem efeito.

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